sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A televisão e a rotina que acomodam

    Quero hoje tratar de um assunto que me incomoda bastante, e dessa vez vou abordar do tema televisão pegando home,s e principalmente homens que já são pais .
Não vou  fazer isso por achar que a situação das mulheres é diferente, apenas estou querendo abordar a parte dos homens.
    Quantas vezes você já foi ou teve na sua casa e muitas atividades não puderam ser  realizadas porque tem um homem na frente de uma televisão? ainda a mulher
Pois é, acho que não é nem uma novidade. O problema de tudo isso que não é uma ou duas vezes, é aquele negócio do comodismo e da rotina, trabalha o dia inteiro,
vai pra casa tomar um café e depois sentar na  tv pra relaxar e esperar a hora de dormir.
    Esse mal é tão grande que existe aquela famosa frase:"meu, tantos filhos? eles não devem ter televisão em casa". Como se o fato de ter muitos filhos
necessariamente estivesse ligado, e entendo sim e sou ciente que grande parte das famílias que estão com muitos filhos são de classe mais baixa, mas isso não
vem ao caso agora, é assunto pra outro texto.
    O ponto que quero destacar, é o quanto isso acarreta em problemas desapercebidos e não resolvidos, vamos citar alguns:
Família que pouco se conhece, pai ausente em atividades dos filhos muitas vezes, marido e mulher que já perderam aquele negócio bom que é ser um casal, uma
pessoa acomodada que não gosta de fazer algo a mais pela vida, seja por ela, pela família ou por alguém, etc. Não estou necessariamente dizendo que os pais ou
maridos que fazem isso estão sendo péssimos, estão sim deixando de aproveitar e de fazer muitas coisas, mas não quer dizer que sejam pais totalmente
irresponsáveis pelos seus filhos.
    Eu sou uma pessoa que não gosta de rotina, aliás,  rotinas exageradas me irritam, embora algumas sejam sim necessárias. Mas acho que existe muito mais numa
vida do que passar 3, 4 ou 5 horas por dia parado na frente de uma televisão, por mais que em alguns casos até passe coisa boa, mas não para ficar tanto tempo
assim, esquecer que tem tanta coisa  a se fazer, aproveitar a  vida com os amigos e com a família de outras maneiras, fazer passeios que nem sempre necessitem
de algum gasto, ouvir música boa e ler livro é bem clichê, mas é mais válido do que só ficar na tv, brincar, conversar ou fazer algo com os filhos se for o
caso, gastar tempo com a mulher, sendo saindo, conversando e fazendo coisas de um casal que mesmo tendo filho não vive como se fossem apenas pai e mãe, não
comprar tanta coisa, sendo muitas vezes comprando    três ou  quatro televisões para  casa, e usar esse dinheiro para passeios mais caros, viagens e coisas mais humanas e divertidas.
    Aí você deve estar se perguntando se esse metido é casado para estar falando tudo isso. Bom, eu não sou casado e nem tenho namorada, mas eu falo isso porque
já vi em muitas famílias e dá pra notar o quanto isso gera problemas como eu citei, além de outros que esqueci ou que não quis dar ênfase no texto. E além
disso, gosto de tomar cuidado quando usamos muito esse negócio dos fatores de criação e externos para justificarmos grande parte das ações das pessoas, embora
sim eu não deixe de levar em conta e acredito que  podem ter uma certa influência, porém, conheço muito caso que as pessoas souberam lidar com tudo isso e
contornaram a situação, inclusive, meus pais não foram pessoas que me incentivaram a ler e nem me apresentaram a música, mas foram duas coisas que com o tempo
eu fui descobrindo e vendo a  utilidade de  ambas. Não quero que esse exemplo pareça que meus pais não prestam ou que eu seja uma pessoa muito boa, nem uma das
coisas é o foco quando citei tudo isso, a questão essencial é que nós aprendamos a lidar com as situações e não arrumarmos tantas desculpas para o nosso
comodismo, e por mais que façamos muitas coisas e sejamos bem diferentes do  que eu citei, sempre temos bastante acomodação .

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"Eu só sei que há momento que se casa com canção De fazer tal casamento vive a minha profissão..." (Fernando Brandt)

    Nessa pequena trajetória da música cada vez mais vejo o quanto tudo se resume ao psicológico, seja na paciência, persistência e espera para que as coisas aconteçam, se resolvam e melhorem.
Conversando com dois grandes músicos que conheci neste final de semana,(Rafael e Marco Lobo), essa teoria se confirmou  mais ainda . Foi algo muito explorado pelos
dois, sempre temos essa mania de achar que não conseguimos porque somos burros ou incapacitados, quando na verdade o ponto principal é o estudo e a persistência . O Fato de nascermos com uma certa
tendência musical não nos leva a genialidade do dia para a noite, inclusive disseram para o Tom Jobim que ele não servia para a música erudita, mas serviu para a popular, rs. E ainda acrescento que para dar
certo na música, não precisa ser um gênio.

    Mas o ponto que quero destacar de tudo isso, é que a caminhada inicial é uma das coisas mais peculiares que eu já vi, cheia de incerteza, desconforto, desânimo,
perguntas que te fazem que você não sabe responder ainda, falta de motivação e uma loucura que nem todo mundo está a fim de passar, por isso tantos talentos se perdem no meio do caminho. A porta de
saída sempre parece estar mais aberta, e ela é sedutora. Mas ainda tem algo que cativa aqui dentro, algo que vale a pena gastar tempo e sacrifício, porque se eu não posso responder em que lugar vou chegar,
eu preciso chegar para poder responder. E quero sim expor a vida e minhas percepções das coisas com a música, afinal, isso é um tanto quanto necessário e honesto para com a arte.

        Destacando algo de importância para mim

    Eu professo a fé cristã, creio num Deus que é cheio de graça, amor e poder, mas um Deus que capacita seus filhos para irem atrás do que Ele deu, não em um Deus
que fica mimando e fazendo com que as coisas caiam do céu. Por isso afirmo: Tem muita coisa que a maior responsabilidade é nossa.

E para terminar, uma citação :


"Todo homem que em si não traga música

E a quem não toquem doces sons concordes,

É de traições, pilhagens, armadilhas,

Seu espírito vive em noite obscura,

Seus afetos são negros como o Érebo:

Não se confie em homem tal..."

O Mercador de Veneza, Shakespeare.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A cidade também clama

    Minha cidade canta a música que ela nunca ouviu e  samba o samba que ninguém sambou.
Ela clama por algumas coisas que ainda não chegaram como deveriam, ou procura saber se chegarão mesmo.
Ela exagera sim em seus deleites, hora por não saber e hora por querer.
    Mas será que os pés formosos daqueles que anunciam as boas novas já estiveram aqui?
Acho até que me precipitei na pergunta, será que eles continuam caminhando e estão presentes no cotidiano?
Parece que eles já não caminham sobre o mesmo chão, tudo se transformou em dicotomia   enquanto precisamos falar do que nos foi confiado.
Tudo é profano, tudo é aliança com o outro reino, tudo é pecado e já existe um tipo de assassinato da boa nova, ela já precisa clamar por "deixa eu viver".