domingo, 29 de junho de 2014

Eu sou quem eu não digo ser

    "O que você é fala tão alto que eu não consigo escutar o que você diz".

    Me senti extremamente confrontado quando li essa frase no livro que estou lendo do Ed René Kivitz chamado talmidim. Não é como se eu olhasse para você  ou para
algum outro e apontasse o dedo na cara dizendo:" você  não é quem você diz ser". Mesmo que nisso atue uma grande verdade de alguma forma, porque num geral,
sempre nós somos menos do que pensamos e temos mais defeitos do que achamos, o foco em si é o quanto nós tentamos gritar para o mundo o que não somos e de
alguma maneira obscurecemos todo defeito e maldade que temos para que pareçamos pessoas boas. Isso me faz lembrar quando algum artista é questionado se tem
algum defeito e a resposta  é :"sou perfeccionista". O que é uma mentira das grandes, ninguém é apenas perfeccionista, e ainda essa resposta soa um tanto quanto
orgulhosa porque muitos se orgulham do tal "perfeccionismo ".

    Mas mesmo eu e você que somos pessoas "comuns", que dificilmente são entrevistadas e saem em revistas, jornais, rádio ou tv, acabamos entrando nessa também.
Porque se não nos perguntam diretamente  "qual é seu defeito" ou " quais são seus defeitos", nós caímos no erro da justificativa e do falatório. Tentamos
explicar o erro, queremos falar porque somos assim ou dar "razão " e "colorido" ao nosso defeito. Fora a atitude maluca de definir quem somos em virtudes
apenas.

Essa frase     "O que você é fala tão alto que eu não consigo escutar o que você diz", me aponta o dedo na cara, é como se estivesse alguém me dizendo isso em
alto e bom som, com amor mas ao mesmo tempo com uma sinceridade que me constranja o coração e me faça voltar para o lugar de miserabilidade, de reconhecer:"
miserável homem que sou".


    "O que você é fala tão alto que eu não consigo escutar o que você diz".